Ficha Técnica de 2018

Estreia: 06 de julho de 2018

 

Direção

Fernandes Jr.

Elenco

André Antero

Bia Alves

Cauê Drumond

Conceni Paulina

Flávia Gonçalves

Thais Fernandes

Tuane Vieira

 

Figurino

Antônio Nicodemo

 

Assistência de Figurino

Thais Fernandes

Cenografia

Gilson Peres

Flávia Gonçalves

 

Maquiagem

André Antero

 

Preparação Corporal

Ligia Berber

 

Acessórios

Juliana Orthz

 

Arte Gráfica e Ilustrações

Flávia Gonçalves

Direção Musical

Cauê Drumond

 

Iluminação

Fernandes Junior

Vinicius Amaral

 

Operação de Audio e Video

Michel Galiotto

Produção

Michel Galiotto

Assistência de Produção

Assessoria de Imprensa

Vinicius Amaral

 

Agradecimentos: Ester Solano, Lucas Fabricio, João Carlos Jr, Augusto Ribeiro, Thayná do Prado, Valéria Drumond, Carlos Rei, Carina Ribeiro, Willian Azevedo

Fotos de Fabricio Augusto

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Fotos de Aline Lobo

1/20

Espetáculo contemplado com

Prêmio Interações Estéticas

Residências Artísticas em Pontos de Cultura

FUNARTE (2009)

Em 2009, quando Antígona estreou pela primeira vez discutíamos o conceito da ética pública num mundo onde alguns valores de convivência mútua estavam sendo quebrados em nome do aprisionamento individual. Era uma conversa de alto nível porque o Brasil estava em um patamar de extrema potência política, econômica e de estima elevada da sua população.

Mas o Brasil mudou. Tivemos o Golpe Institucional de 2016. Tivemos as panelas ouvidas dos edifícios de luxo e a grande mídia brasileira escondendo seus interesses por trás de suas notícias.

Sendo assim Antígona está em outro terreno. Agora, mais do que nunca, estará ao lado da justiça. Ao tentar enterrar Polínices, seu irmão,  também tentará enterrar o racismo, o fascismo, a xenofobia, o machismo, a homofobia!

A sua luta é contra esse país que está sendo dia a dia esfarelado pela incoerência, irresponsabilidade e no sense dos governantes golpistas e da população conservadora e reacionária!

A dramaturgia é composta por elementos com os quais convivemos e garante que Antígona é um clássico não porque é de longa data, mas porque dialoga com os nossos comportamentos de hoje e denuncia a passividade com que assistimos os nossos direitos serem suprimidos dia após dia.

Elenco reformulado para esse Brasil que nos afronta

Para 2018 o elenco está novo. As circunstâncias colocou um elenco que presenciou de perto das manifestações de junho de 2013. Que ouviu todos dizerem que o "gigante acordou" e que as transformações que o povo precisava efetivamente seriam colocados na ordem da política nacional.

 

E o que viram foi o país sendo levado dia a dia ao golpe institucional de 2016.e o aumento do fascismo no Brasil. 

Quais as semelhanças que existem entre Tebas de Creonte e o Brasil de Michel Temer? Qual o fim que Sófocles reserva a Tebas pela inércia e conveniência de seu povo? Quais as responsabilidade que Ismênia, Hémon, Tirésias, Guarda e o Coro tem nessa história? Qual desses personagens você é?

Porque a história é simples: Antígona quer enterrar seu irmão Polínices que guerreou por Argos contra a sua cidade natal, Tebas. O tirano Creonte volta da batalha e emite uma lei que proíbe o sepultamento do morto considerando-o traidor da pátria. A irmã segue seu dever sagrado e, capturada, é condenada a morte. Mas um aviso de Tirésias vai mudar a sorte de Tebas e de seus habitantes. 

Resta descobrirmos onde o Brasil se encaixa nessa história contada pela primeira vez a 441 a.C. e que ainda continua atual e necessária.

Desenho do cenário de Antigona por Gilson Peres: um país da tecnologia na era medieval

Já é sabido o poder dos meios de comunicação no Golpe de 2016. As grandes da mídia tanto televisiva quanto impressa fizeram o jogo sujo do anti jornalismo e apostaram todas as fichas no golpe na esperança de mudanças para os lucros de suas empresas e especulações de tudo quanto é tipo.

Além disso, municiaram os conservadores desinformados e criaram uma insegurança em todas as esferas no cotidiano das pessoas. Sendo assim lidaremos com uma cenografia que vai retratar essa era medieval para a qual estamos sendo enviados mesmo com toda tecnologia e informação a nosso dispor.

Unido a isso, um figurino que tende a ser mais pesado, com cores pesadas e diretas. típico da prepotência dos perdedores que não assumem suas escolhas equivocadas.

O grande desafio é efetivamente unir esses dois mundos no texto denúncia que Brecht já propõe em seus textos.

Em tempos de intolerância, ódio, assassinatos e medo coletivo, é chegada a hora dos artistas tomarem seus postos para a batalha por um país mais justo e Antígona vai colaborar para denunciar mas também para propor as lutas imprescindíveis que devemos levar a cabo no país do golpe

Circulação

Fotos de Giulia Martins

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15 de outubro de 2019

GALPÃO ARTHUR NETTO (Mogi das Cruzes)

 

De 13 de fevereiro a 21 de fevereiro de 2019

.TEATRO DE CONTÊINER (Cia Mungunzá - SP)

13 de outubro de 2018

CIA ESTELAR (SP)

10 de setembro de 2018

TEATRO MUNICIPAL DR ARMANDO DE RÉ (Suzano)

De 06 de julho a 29 de julho

ESPAÇO N DE ARTE E CULTURA (Suzano)

A interpretação ativa do ator/atriz no "Teatro e Sociedade"

A reflexão constante do elenco dentro do processo criativo na sala de ensaio de Antígona não foi tranquila. Havia muita problematização, muitas ligações a serem feitas entre o texto da antiguidade e a sociedade atual, muita coisa acontecendo e precisando estar em cena. Houve também crises de criação, tensões naturais em sala de ensaio, luta por soluções.

Isso tudo faz parte do caos necessário para interpretar a sociedade em que se vive e ter a coragem para se expor primeiro enquanto um cidadão e, depois, como um artista que pratica a cidadania. Não é fácil. A arte, que também deve ter o serviço de interpretar o seu tempo, carrega-nos para dentro de nós mesmos deve-se ter muita atenção para evitar vacilos em torno da mesmice e da escolha fácil que não possui interesse artístico.

 

É necessária muita coragem para que o artista que luta por sua cidadania, seus direitos e representatividade, ainda acumule numa encenação a interpretação que fale direto ao público sem sentimentalismos e sem truques que possam desviar a comunicação com a plateia.

A atuação social, de responsabilidade cidadã e comprometimento coletivo com o bem estar comum é função primaria de quem está disposto a levar em cena aquilo que nos incomoda. E o que incomodou ao elenco, pelo menos em parte, foi levado em cena e no registro concreto das palavras que segue:

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Thais Fernandes 

Antes de tudo é um processo corajoso.

Encenar um texto como Antígona, hoje, nesses tempos sombrios, é sobretudo um ato de coragem! Estamos vivendo as consequências de um golpe, que é um atentando ao Estado Democrático e de Direito;  golpe este, legitimado pela mídia. 

É a era da passividade, da pós-verdade, de uma justiça seletiva que tem cor e classe social.

Estamos vivendo os ares do ódio, e esse ar sufoca, mata, agride e silencia.

Encenar Antígona neste momento é questionar, denunciar, constranger!

 

A luta por um direito individual que sai da esfera familiar e chega à social e transforma-se em uma luta por direitos coletivos.

Antígona quer enterrar o irmão que está, mesmo depois de morto, sob o julgo de um tirano.

 

E quantas irmãs, mães, famílias inteiras, precisam lutar pelos seus ? - Que são transformados em números e aumentam as estatísticas. - E ainda precisam lutar pela memória deles, que mesmo depois de mortos estão sob um julgo fascista.

 

E no meio deste cenário do horror, onde as perguntas ficam sem respostas, vozes são silenciadas, vidas interrompidas, passados e futuros roubados; interpretar uma mulher de postura combativa, que carrega consigo todas as lutas, que não fica no meio do caminho, em cima do muro, que tem lado e luta por ele, foi encorajador.

Hoje eu consigo ver a figura da Antígona nos movimentos sociais; Como é importante ver agrupamentos de mulheres, jovens, a força deles dentro dessa estrutura destrutiva que a gente vive, ensina a não nos calar diante do medo que prometem os dias futuros. A gente precisa lutar pelos nossos, Antígona me ensinou isso.

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Flávia Gonçalves

A arte como instrumento político

 

Todo processo de criação possibilita a reflexão de um mundo e faz o artista sair do seu cenário real. Não seria diferente com Antígona, que renasce em momento propício, justamente, por se fazer necessário um olhar crítico sobre nosso próprio mundo. Especialmente, sobre o nosso país. 

 

Um país extremamente desigual, que reduz de onde mais precisa, que assassina adolescente negro a caminho da escola. Um Estado que deixa morrer e mais mata, que manda matar e mais morre.

As engrenagens funcionam em favor da violência institucional, em detrimento dos instrumentos democráticos. Seja pelos excessos da polícia militar ou pelas ações conservadoras do Congresso Nacional em relação aos direitos políticos historicamente conquistados.

O fazer artístico é uma forma de atuação política, uma vez que retoma as memórias que constrói nosso corpo social, fazendo entender o presente através dos efeitos das violações que ergueram nossas estruturas. Mais que isso, oferece novos olhares sobre o futuro.

Nesses cinco anos que se passaram, das jornadas de junho de 2013 até agora, duas perguntas ainda ecoam: “Onde está o Amarildo?” e “Quem mandou matar Marielle?”. Continuar perguntando é exigir que a voz seja ouvida mesmo quando tentam impor limites no direito ao protesto e associação.

Há grupos dispostos a romper o silêncio orquestrado pelo Estado. Dentre outros, de um lado categorias expondo a decadência de serviços públicos, noutro mães usando do luto ferramenta de resistência.

Sendo um dos principais espaços de expressão da democracia, é na rua que a ordem é problematizada e o direito à vida é dado como esperança. Mesmo que o incerto seja a maior certeza, a busca pela livre circulação e manifestação dá ao cidadão a importância da existência do outro, apesar dos muros.

Tendências fascistas estão em constante crescimento atingindo a todos, mas principalmente o povo que mora na favela, o negro, a mulher, os homossexuais, índios. Tem grupos certos para morrer dentro da nossa democracia de leis subjetivas. Lutar contra isso é nosso dever.

“As pessoas são como as palavras. Só tem sentido se junto das outras. Foi sonho, foi rima, hoje é fato pra palco. Eu e você juntos somos nós. Nós que ninguém desata. A rua é “nóis””. O trecho da música Yasuke, do rapper Emicida, aponta uma responsabilidade política que a união proporciona e que, além disso, a força está no povo.

Insistir em certas perguntas, recontar determinadas histórias e narrar o passado são formas de criar novos destinos, desfazer alguns mitos. A arte nos põe num lugar novo dentro do que já temos e o Teatro põe ação na minha ira.

André Antero

A sala de ensaio

Brasil, julho de 2018. Antígona - ao lado da justiça onde quer que ela esteja, que para muitos pode ser um ponto de vista, mas que é uma uma nova estrutura e um novo pensamento. Trataremos de um Brasil. O mesmo Brasil que luta pelo Hexa mas que continua sendo o mesmo que mata as mulheres, negros, os LGBTS, gordos, o ser humano. O mesmo que luta pelos direitos, pelas melhorias, pelas histórias, resistências e sobrevivências. O mesmo que finge demência. O mesmo que carrega um título: Brasil.

Antígona é um grito dentro deste Brasil. Temos a mídia, a política, os vícios, os relatos, as demências, as ilusões, temos dentro de uma história uma nova história  a ser contada.

O meu processo dentro deste processo foi o barulho e o silêncio; corpo como alimento de sobrevivência dentro de uma sala de ensaio. A mente como atenção e inquietude dentro de uma sala de ensaio. Aprendi e estou aprendendo no processo.

Resistimos! Sejamos Antígona no nosso Brasil.

Tuane Vieira

Em 2008 eu tinha 24 anos. Outro corpo, outra disposição. Tava achando que era indestrutível, que o Brasil ia ser país de 1º mundo e o povo ia desmascarar seus inimigos. Quanto engano.

Prefiro pensar dentro da bolha que o Teatro da Neura me permite. É necessário fazer o que se ama pra não se deixar levar pelo sistema que nos transforma quase 100% das vezes: num grandessíssimo babaca que só vê as coisas pelo perímetro da sua vivência pessoal.

Não há mais uma consciência ética e moral da cidadania no nosso meio. Bandeiras só se compram se eu tô conseguindo pagar meu aluguel no fim do mês. E não há como dizer que tá errado.

            Remontar esse espetáculo com este novo elenco, uma nova juventude que viu o Brasil ruir junto com a própria autonomia e um reconhecimento de quem se é tem me permitido uma nova visão do país que sangra pós-golpe de 2016.  Morar num país não democrático nos faz rever nosso papel social, nossa função como membros dessa sociedade        

Com toda a projeção pessimista que tenho desse país, ainda se produz arte pelo menos entre os meus e é pra eles o meu agradecimento. Pela insistência e coragem meus eternos agradecimentos. Ao elenco de 2009 de Antígona, que estreiou num dia 07 de novembro, depois de muita luta, o meu muito obrigada por fazerem parte dessa história. Aos meus atuais parceiros, amigos e amores de 2018, BORA PRA CIMA DELES.

Cauê Drumond

O estado de atenção que o espetáculo desperta nos atores é alarmante para denunciar o colapso desordenado e controverso do país. Tem muita coisa acontecendo e irremediavelmente nos afogamos. Estamos quase todos fadados às redes sociais que nos empurram notícias a cada minuto. (Os selvagens estão salvos? Ou recebem a porrada desprevenidos?)

 

Atentar-nos ao nosso redor através dos embates, discussões e reflexões significativas para o momento histórico que vive o cidadão brasileiro, torna a linguagem sofocliana uma estaca que atravessa o tempo e assim reinterpretamos o declínio da cultura helênica testemunhada pelo tragediógrafo que participava efetivamente da vida pública da população.

A estaca não mata o vampiro!

Sófocles mostra-nos em sua escrita a transformação da Grécia Antiga para a Grécia Clássica. Os deuses em plano de fundo e a racionalidade comendo o cérebro dos gregos que por meio da tragédia humanizavam-se e aprendiam a partir das vivências e suas contradições neste processo formativo.

 

Traz à tona a concretude das crises que abatiam as certezas das tradições. Então tomamos proveito do contexto que nos colocamos para escancarar a seletividade do povo, da justiça e da mídia. Os que de verde e amarelo abrem sua própria e breve sepultura, os da toga que atuam para a nobreza, os que ditam leis em nome de deus e as famílias mais ricas deste lugar que comandam as maiores emissoras de televisão.

Embora Nietzsche critique a moralidade existente no herói trágico aristotélico embebido da Catarse (Purificação dos sentimentos), derivado de um ideal a ser alcançado, modelo de conduta, da purgação dos afetos "baixos" do terror e piedade, vemos em nossa Antígona - mulher, negra, pobre - alguém que se levanta dentre milhões de cordeiros acuados que batem panela ou protestam na cafeteria.

 

E se não nos assustamos com a quantidade de Polínices mortos hoje no Brasil e no mundo, há alguma coisa errada. A cegueira é o escuro do abismo e o cego Tirésias subverte e deixa de lado a moralidade citada pelo alemão, enveredando o caminho da ruína.

O conservadorismo, a exploração e a precariedade batendo em nossa porta, congela nosso sangue. O teatro épico de Brecht imputa na obra trágica a era medieval e esfrega o retardamento da sociedade eivada pela classe média. Os ciclos se alteram em seus detalhes mas derramam sobre nós essa aparência histórica que dá-nos calafrios.

Estamos no mesmo bote, na mesma vala comum, na mesma senzala, na mesma forca.

 

Me restou, eu que faço a direção musical do espetáculo, fazer com que cantemos a desgraça numa fala de Ismênia, que é a caracterização dos acomodados, sob um ritmo sensorialmente derradeiro. Que some. Que morre na reverberação.

Estou ansioso para a abertura das sete portas de Tebas. Todos sacudidos pelas rodas de Baco. Sedentos mais tarde por um punhado de pó.

Conceni Paulina

O processo de Antígona é o exercício do pensamento, de dizer sobre luta e resistência, de sintonizar discurso e prática, de entender e denunciar o que acontece aqui no quintal de casa, na cidade, no Brasil, no mundo.

Em meio ao bombardeio de informações, arte é a ferramenta, teatro é a voz e Antígona é o grito por justiça.

Antígona é uma mulher negra, que luta em todas as frentes, que resiste.

Eu choro o extermínio impiedoso dos meus irmãos pretos.

Eu me sinto representada quando uma mulher, uma atriz negra, tem voz tem espaço.

Também é minha a voz, a luta, também é minha aquela pele preta.

Michel Galiotto

A mídia se empenha em condenar a política. 

A população passa a desacreditar na democracia.
A justiça estatal discrimina a população e adula o poder.

Constroi-se assim um cenário perfeito para o poder ampliar a exploração à população, manter e ampliar as diferenças sociais.

A população temerosa aceita as condições com resiliência tendo a certeza que a força da violência do Estado se apresentará no enfrentamento de manifestações contestatórias.

Duas figuras femininas são exemplos de coragem no enfrentamento ao poder: Antígona, no clássico texto do teatro grego e Marielle Franco, vereadora de origem humilde da cidade do Rio de Janeiro, tendo cada uma sofrido, na sua medida, a repressão na pele.

Exemplos não faltam. 

O que fora clássico ainda se faz contemporâneo.
Histórias assim precisam ser contadas. 

Ou povo se interessa por política ou seu destino é a escravidão.

Clipping

Filmagens e Processos de 2009

Ficha Técnica de 2009

Estreia: 07 de Novembro de 2009

 

Direção

Fernandes Jr.

Elenco

Amabile Luz
André Antero

Antonio Nicodemo
Cibele Zuchi

Edu Dias

Kátia Manfredi
Lígia Berber

Tuane Vieira

 

Figurino

Antônio Nicodemo

Jeff Rodrigues

Tuane Vieira
 

Caracterização

Jeff Rodrigues 
                                         

Cenografia

Edu Dias

Jeff Rodrigues

Teaser

Festival de Teatro de Suzano

Making off