NEUROFOBIA 2017
13 ANOS DE LUTAS, ESTÉTICAS E RESISTÊNCIAS

Em 2017 o Teatro da Neura expõe pela primeira vez ao público as suas mais pesquisadas estéticas de encenação em workshops e espetáculos. Das 17 peças que estreamos, escolhemos três que ilustram de forma singular essa trajetória que enche de orgulho a todos os membros e parceiros do grupo.

 

Ao decidirmos por essa temática para as festividades de aniversário do Neura em 2017, ratificamos também a nossa postura de resistência e luta pelo teatro independente.

 

Confira a programação completa, program-se e acompanha tudo.

O nosso coração está em cada palavra dita.

Teatro e Sociedade

EVENTO

"Workshop Teatro e Sociedade"

 

Dia 13 de maio as 19h

entrada gratuita

Ministrado por 

Amabile Luz

Fernandes Junior

O que é política? ​

 

Quais são os interesses em desmontar na cabeça da população - e por que não da classe artística? - a importância do pensamento político para construir uma sociedade mais justa? ​

 

O que é arte e para que ela serve? E qual o papel do artista dentro da sociedade?

 

Respostas difíceis de responder e talvez ainda mais difícil de vivenciar em dias tão turbulentos. ​

 

Ao discutir a sociedade e as suas responsabilidades em seu meio, cada peça do Teatro da Neura, que seguiu a estética "Teatro e Sociedade" também colaborou para a transformação de cada um de seus componentes. ​

 

O maior diferencial em assumir esse tipo te teatro é perceber que o discurso estético não pode estar desprendido da postura fora dos palcos.

 

Estabelecer um senso ético nas relações pessoais e profissionais com certeza é o maior desafio. ​

 

Respeitar a diversidade de opiniões dentro de uma estrutura coletiva também é um exercício diário para se construir um projeto de grupo e produção teatral.

Como isso tudo interfere na escolha das peças e na forma como as apresentamos também é um aprendizado sempre novo.

Compõem essa estética as seguinte montagens

"Que a Terra Há de Comer" (2016)

Direção de Fernandes Junior

"Fábrica de Chocolate (2016)

Direção de Amabile Luz

“Nova Canaã” (2011)

Direção de Fernandes Junior


“Quando as Máquinas Param” (2011)

Direção de Fernandes Junior


“Antígona” (2009)

Direção de Fernandes Junior


“Pater” (2007)

Direção de Fernandes Junior


“Restos” (2006)

Direção Coletiva

"Que a Terra Há de Comer"

 

Dia 14 de maio as 20h

Entrada $ 12

Uma ocupação com a presença forte do dono daquelas terras não consegue manter-se unida e lutar em conjunto pelas suas necessidades básicas. Nos conflitos pessoais, nos egos, nos machismos, violências e desrespeito mútuos, as forças opressoras vão se aproximando rapidamente e, quando percebem, já é tarde para lutarem coletivamente.

Durante a montagem dessa peça,  o Brasil sofreu o golpe institucional contra uma presidente democraticamente eleita (cada vez mais claro para os brasileiros atualmente), o avanço das forças conservadoras mais nefastas que o País possui hoje em dia, além da desorganização e desmonte das organizações populares que tentaram alertar para o que estava acontecendo.

Apesar da resistência, as derrotas são latentes e parecem inevitáveis.

 

Inevitável também foi se alimentar desse contexto para os significados que a montagem encara.

 

Em meio a tantas lutas, não foi atentado para essa força opressora que se coloca com sentimentos de intolerância, ódio e desrespeito.

 

A falta de comunicação, o ego e as lutas divididas impedem a união que é o requisito imprescindível para a conquista coletiva.

 

Serão tempos de muitas derrotas, mas também com muitas lutas pela frente.

Recomendação: 12 anos

Duração: 60 minutos 

Ficha Técnica

Texto: Livremente inspirado em "Vereda da Salvação" de Jorge Andrade

 

Direção

Fernandes Junior


Elenco:

André Antero, Aline Ribeiro,

Bia Alves, Michel Galiotto, 

Pedro Zanelli, Tamara Pinheiro, Carlos Rei, Cauê Drumond

 

Direção Musical

Alexandre Guilherme

 

Maquiagem

André Antero

Figurino

Thais Fernandes

 

Cenário

Gilson Peres

 

Arte Gráfica

Raissa Maznik

 

Assessoria de Imprensa

Gabriela Pasquale

 

Fotografia

Giulia Martins

Loraine Gomes

Realismo Fantástico

EVENTO

"Workshop Realismo Fantástico"

 

Dia 20 de maio as 19h

entrada gratuita

Ministrado por

Antonio Nicodemo

Ligia Berber

Somos, por natureza, seres simbólicos. Antes de tudo, um emaranhado de hereditariedades repletos de significados. Trazemos no nosso DNA, a cultura do sagrado e do sincrético. Um aspecto multicultural que por mais que passemos por dezenas de processos geracionais, carregaremos essas histórias pela prática ou pela escuta, habitando o imaginário coletivo.

 

Fortalecedor da tradição oral e resgatando símbolos populares e culturais, o realismo fantástico, de berço genuíno uma criação latino-americana, carrega a subversão da lógica, o natural e o sobrenatural, as virtudes, a superstição, a religião e a tradição como potencias na construção de um cotidiano que se funde ao mágico, criando uma própria realidade.

 

Com um pensamento dramatúrgico refinado e embebido em uma poesia particular, o Teatro da Neura se percebe protagonista na pesquisa dessa linguagem para o Teatro. Linguagem vaga de registros também enquanto escola literária, o Realismo Fantástico recria uma forma de apresentar a vida, logo, um caminho fascinante para se manter vivo em sala de ensaio enquanto artista.

 

Com um forte e constante rigor na qualidade estética e tendo sempre o simbólico demarcando o território da criação, o grupo se debruça na descoberta de uma identidade própria de ressignificação de espaço, corpo, personagem e história.

 

A fé, a mulher e a sociedade, também são elementos que alimentam a trajetória dessa pesquisa que gera um pensamento, que mesmo mágico, dialoga com a atualidade se mantendo extremamente contemporâneo onde revisita, a cada nova linha, um pouco do passado.

 

A MEMÓRIA E A ARQUEOGRAFIA PESSOAL

 

Inevitável falarmos de tradição, de resgate cultural e virtudes sem falarmos de nós mesmos e de onde viemos. Essa fusão calorosa que carrega a América Latina dentro de seus mitos e ritos e toda essa riqueza histórica entre o sagrado e o profano que gerou o Brasil e junto, nossos sobrenomes. Somos também e sobretudo, uma resposta afetiva de sobrevivência.

 

Uma continuidade das três matrizes que geraram esse lugar e junto disso seus costumes, resistências, influências e histórias. Revisitando sua memória conforme a necessidade do processo, o ator busca na sua própria trajetória material para construção do texto, personagens, objetos cênicos, figurinos e se emprestam, para além das necessidades técnicas para composição artística, um fato declarado para uma boa resposta cênica-teatral, uma vivência e visita a história do outro, que vez ou outra se confunde com a sua por pertencer ao mesmo território imaginário.

Compõem essa estética as seguintes montagens

“O Menino Gigante ou os Dez Fevereiros” (2016)

Direção de Antonio Nicodemo e Ligia Berber


“Quando o Mar de Tão Grande Virou Teto” (2013)

Direção de Amabile Luz, Fernandes Junior e Tuane Vieira


“O Velório” (2012)

Direção de Antonio Nicodemo

“A Menina da Cabeça de Bola” (2011)

Direção de Antonio Nicodemo

“Vidros” (2008)

Direção de Fernandes Junior

"O Velório"

Dia 21 de maio as 20h

Ingresso $ 12

 

A primeira é a boa mãe cristã, que sofre pelo abandono do marido; a segunda é mãe de Hercília e uma senhora de língua arisca; a terceira é filha do matrimônio exemplar entre Hercília e o falecido e a última é a criada, que tem a fé duvidosa. Elas transitam na sua de sua dor de mulher ferida, que se revela poderosa após a visita da Madre, símbolo máximo da presença divina na comunidade. 

A partir daí, o inexplicável se inicia. As regras mudam e essa harmonia é quebrada: o homem retorna a casa, morto, e é velado por essas mulheres (mesmo ele desejando almofadas, já que a posição é incômoda). Na Páscoa que dura um ano, essas mulheres ganham nuances e se revelam. 

"O Velório" é um espetáculo que propõe a transposição de elementos narrativos do Realismo Fantástico à encenação teatral e é faz parte da pesquisa do grupo.

 

Recomendação: 12 anos

Duração: 120 minutos 

Ficha Técnica

Dramaturgia e Direção
Antônio Nicodemo

Elenco
Aline Ribeiro, Amabile Luz, André Antero, Cibele Zuchi, Conceni Paulina, Fernandes Junior, Ligia Berber, Pedro Zanelli, Thaís Fernandes e Tuane Vieira

Direção Musical

Luis Aranha

Preparação Corporal
Lígia Berber

Iluminação
Carlos Rei

Maquiagem
Patricia Faria e André Antero

 

Assessoria de Imprensa

Gabriela Pasquale

Estudos sobre Nelson Rodrigues

EVENTO

"A Última Virgem"

Dia 28 de maio as 20h

Entrada $12

Livremente inspirada na obra “Os Sete Gatinhos”, de Nelson Rodrigues, a peça conta a história de quatro irmãs que se prostituem para a caçula, a última virgem da família, ter o casamento dos sonhos. Seu Noronha, o pai, ''sábio vidente'' e abitolado na procura de seus próprios deuses, serve cafezinho aos deputados e encara a virgindade da mais nova como altar sagrado e desculpa de sobrevivência. Já Dona Aracy, a mãe, gorda e negra, se enterra diariamente num cemitério apoteótico de verdadeiras vontades chamado família tradicional.

A prostituição e a exploração sexual da mulher, a invasão da alta sociedade e dos estrangeiros no consumo de um Brasil de calendário e midiaticamente tropical, a virgindade, o machismo e o fanatismo religioso são temas dessa história de um País que teve sua ''liberdade'' proclamada por um grito. O espetáculo bebe em referências a partir de Joãosinho Trinta, Fernando Pamplona e desfiles icônicos como ''Ratos e Urubus'', ''Os Sete Tronos Divinos dos Orixás'', entre outros do Carnaval do Rio de Janeiro e São Paulo.



Ficha Técnica

Adaptação, Dramaturgia e Direção
Antônio Nicodemo

Elenco
Seu Noronha: Cibele Zuchi
Dona Aracy: Pedro Zaneli
Arlete: Tuane Vieira
Hilda: Conceni Paulina
Aurora: Juliana Orthz
Débora: Flávia Gonçalves
Silene: Thaís Fernandes
Bibelot, O Homem Vestido de Virgem: André Antero
Dr. Portter, O Gringo: Lígia Berber
Dr. Bordalo, O Médico da Família: Michel Galiotto
Dona Matilde, A Vizinha: José Rivaldo
Dr. Barbosa Coutinho, O Espirito de Luz: Conceni Paulina
Os Fantasmas: Agnes Nabiça, Ariane Horan, Bianca Alves, Lua Castro e Nickole Kowaltschuk
Os Sambistas: Cauê Drumond, Danilo Cruz, Denise Linz, Fernandes Junior e Lígia Berber

Composições Originais

Cauê Drumond 
Denize Lins

Preparação Corporal

Lígia Berber

Concepção Estética

Antônio Nicodemo 
Thaís Fernandes

Concepção de Maquiagem

André Antero

Criação Estética - Figurinos e Adereços
Thaís Fernandes

Produção Estética

Thaís Fernandes
Gilson Peres

Máscaras
Flávia Gonçalves

Cenário
Antônio Nicodemo
Danilo Cruz
Gilson Perez

Luz
Fernandes Junior

Produção
Vinícius Amaral

Registro
Giulia Martins 
Loraine Gomes

Assessoria de Imprensa

Gabriela Pasquale

AGRADECIMENTO

Auxilo na Pesquisa

Leandro De Santana Selva 
Marcelo Poloni
Fabiano Nécro

© 2014 por Fernandes Junior / Instituto N de Arte e Cultura.

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