Somos, por natureza, seres simbólicos. Antes de tudo, um emaranhado de hereditariedades repletos de significados.

 

Trazemos no nosso DNA, a cultura do sagrado e do sincrético. Um aspecto multicultural que por mais que passemos por dezenas de processos geracionais, carregaremos essas histórias pela prática ou pela escuta, habitando o imaginário coletivo.

 

Fortalecedor da tradição oral e resgatando símbolos populares e culturais, o realismo fantástico, de berço genuíno uma criação latino-americana, carrega a subversão da lógica, o natural e o sobrenatural, as virtudes, a superstição, a religião e a tradição como potencias na construção de um cotidiano que se funde ao mágico, criando uma própria realidade.

 

Com um pensamento dramatúrgico refinado e embebido em uma poesia particular, o Teatro da Neura se percebe protagonista na pesquisa dessa linguagem para o Teatro. Linguagem vaga de registros também enquanto escola literária, o Realismo Fantástico recria uma forma de apresentar a vida, logo, um caminho fascinante para se manter vivo em sala de ensaio enquanto artista.

 

Com um forte e constante rigor na qualidade estética e tendo sempre o simbólico demarcando o território da criação, o grupo se debruça na descoberta de uma identidade própria de ressignificação de espaço, corpo, personagem e história.

 

A fé, a mulher e a sociedade, também são elementos que alimentam a trajetória dessa pesquisa que gera um pensamento, que mesmo mágico, dialoga com a atualidade se mantendo extremamente contemporâneo onde revisita, a cada nova linha, um pouco do passado.

 

REALISMO FANTÁSTICO

A MEMÓRIA E A ARQUEOGRAFIA PESSOAL

 

Inevitável falarmos de tradição, de resgate cultural e virtudes sem falarmos de nós mesmos e de onde viemos. Essa fusão calorosa que carrega a América Latina dentro de seus mitos e ritos e toda essa riqueza histórica entre o sagrado e o profano que gerou o Brasil e junto, nossos sobrenomes. Somos também e sobretudo, uma resposta afetiva de sobrevivência.

 

Uma continuidade das três matrizes que geraram esse lugar e junto disso seus costumes, resistências, influências e histórias. Revisitando sua memória conforme a necessidade do processo, o ator busca na sua própria trajetória material para construção do texto, personagens, objetos cênicos, figurinos e se emprestam, para além das necessidades técnicas para composição artística, um fato declarado para uma boa resposta cênica-teatral, uma vivência e visita a história do outro, que vez ou outra se confunde com a sua por pertencer ao mesmo território imaginário.

© 2014 por Fernandes Junior / Instituto N de Arte e Cultura.

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