SÁBADO DE ALELUIA

O MAU GOSTO E O GROTESCO
"Como tornamos coisas divinas, banais em sua moral? Através do sonho, o material onírico corresponde a uma visão apolínea e ao mesmo tempo dionisíaca (no que diz respeito a luz das interpretações deste material onírico) de como enxergamos o mundo, as pessoas que estão acima de nós - deus, os pais, as autoridades, os sentimentos pelos quais não somos capazes de desviar e as hierarquias que nos submetem à subordinação humana.


Como a sombra do elenco pode enriquecer o processo estético do espetáculo? A construção dos mitos a partir das particularidades pessoais a procura da completude do ser? Como a personalidade toma formas imagéticas a partir das experiências?

 

Quem são esses monstros ou esses deuses-de-casa? Até onde emprestamos nossa vida para a arte? Existe um limite? O que serve para a linguagem? Como podemos sondar o corpo cênico neste sentido?

 

O grotesco surge como satirização do bem; O bem segundo os preceitos da fundação de Roma e do cristianismo, o mal como ironização das hipocrisias - da ambiguidade entre belo e o sublime, feio e o ridículo, na fusão do homem com o animal irracional para formar a figura grotesca encontrada em vários símbolos demoníacos e angelicais (os bichos), por não se parecerem fisicamente conosco denotam-se num híbrido, atributo inconsciente para dar corpo ao estranho (embora o conteúdo moral esteja carregado obviamente na parte humana, com todas as incongruências da natureza).

 

O grotesco serve ao repúdio e ao riso, ao rebaixamento e ao medo.

 

Todo mundo carrega no sonho o grotesco que dita o que há de oculto na psique. É também através do grotesco que iluminamos comportamentos que na vida de vigília não temos noção.

 

O grotesco é o self que passeia entre o consciente e o inconsciente de modos pitorescos. O grotesco também é universal, absoluto, está ligado ao Uno Primordial, à um coletivo de pensamentos. 

 

O grotesco está ligado ao cosmos - essa energia sombria traduz o que está intrínseco a nós, cavado em nossa essência e absolvido em si mesmo. O grotesco é o pecado, é a cobra que oferece a maçã, é o pudor, a desobediência, a antiética, os incestos dos filhos e filhas de Eva e Adão. 

 

O grotesco está no Paraíso e no Inferno. Toma cor, textura, cheiro, movimento e palpitação na Terra. O grotesco é a Divina Comédia. O grotesco compõe o material que costura o Destino. As Moiras são grotescas, Sileno é grotesco, as figuras mitológicas são grotescas. E isso já explica muita coisa.


O mau gosto é constituído pelos parâmetros da dor e do prazer: ao longo de sua vida, o quê lhe trouxe essas sensações? Estão baseadas em ensinamentos (ou adestramentos) do que é externo a nós, vindo daqueles seres, ditos, anteriormente, soberanos.

 

Estas são questões provocadas no corpo cênico do experimento. Numa sociedade patriarcal, coisas que o gênero masculino toma como belo e sublime, são adquiridas por nós, num contágio socioambiental, como beleza aparente. Tudo que o homem domina é amável. O que o homem não pode ter as rédeas, é abominável. A igreja católica teve grande participação neste quesito, nesta pré disposição ao mau gosto.

 

Tudo que é imoral segundo a Bíblia Sagrada, torna-se feio. Em proporções drásticas, o preconceito sobre raça, cor, credo e sexualidade, vem do que é falado nas escrituras onde o homem predomina como principal agente legislativo em nome de um deus. 

 

É correto afirmar que no oriente as idiossincrasias do mau gosto se desdobram a partir de outros mitos. 

 

O mau gosto nasce da ojeriza ao que nos afasta da perpetuação, da conservação, do que conforta a existência da humanidade. Se abala o conforto do meu ego, reflexo, lirismo, eu reprimo, excluo, extermino. Torno feio, horroroso. Por exemplo, os fantasmas nas obras de Shakespeare vêm sempre simbolizar a finitude, a justiça natural, as coisas que não temos controle, irreversíveis, misteriosas e ocultas. E por isso as assombrações, universalmente, têm características horríveis; O Além assusta, desperta a questão, as contradições.

 

O mau gosto molda o grotesco para expressar o que há de mais perverso, sádico e demoníaco em nós."
 

Por Cauê Drumond

Fotos 
Fabrício Augusto
Ewerton Gomes

sinopse

Antonio Nicodemo

Cauê drumond

arte

Eber subirá

teaser

antonio nicodemo

FICHA TÉCNICA

 

elenco____

Cibele Zucchi

Tuane Vieira
André Antero
Juliana Orthz
Michel Galiotto
Carolina Portella
Thais Almeida



Dramaturgia____

Antônio Nicodemo

Cauê Drumond
 


Direção____

Antônio Nicodemo



Assistência de Direção

Direção Musical____

Cauê Drumond
 


Figurinos____

Érika Grizendi


Maquiagem____

André Antero



Cenário____

Antônio Nicodemo



Cenotécnica____

Coletivo Revitalize
 


Iluminação____

Cauê Drumond
Carlos Rei



Produção____

Antônio Nicodemo
Érika Grizendi
Fabricio Augusto
Michel Galiotto