Teatro Sociedade

A função do teatro sempre foi discutida. Ao longo da história o teatro foi interpretando, denunciando ou resistindo aos acontecimentos da sociedade. Nunca foi apática até mesmo quando a sociedade parecia apática.

Em paralelo a isso devemos entender que o artista é fruto de seu meio. Até mesmo os reconhecimentos são previamente estimulados e exaltados conforme o status social em vigor. Sendo assim, podemos até mesmo desconfiar – desconfiar sempre – daquilo que o mercado capitalista coloca na crista da onda.

Em contrapartida sempre é comentado a famosa “crise de público no teatro”. Ao mesmo tempo em que há um aumento de número de salas de teatro espalhadas pelas cidades (bem menos que o necessário aliás) a capacidade não passa de 100 ou 200 pessoas (quando muito). Isso reflete uma potência maior de seus fazedores do que de público na troca teatral como entretenimento.

Compõem essa estética as seguinte montagens

Macbeth: a linha vermelha (2019)

Direção de Fernandes Junior

Texto William Shakespeare

Que a Terra Há de Comer (2016)

Direção de Fernandes Junior

Fábrica de Chocolate (2016)

Direção de Amabile Luz

Quando as Máquinas Param (2011)

Direção de Fernandes Junior

Texto Plínio Marcos


Antígona (2009)

Direção de Fernandes Junior

Texto Sófocles


Pater (2007)

Direção de Fernandes Junior

Texto Antônio Nicodemo e Tuane Vieira

Espetáculo "Fábrica de Chocolate" 

O olhar sob o ponto de vista do opressor durante a Ditadura Militar no Brasil em 64.

E aí, quando chegamos a esse ponto perguntamos: o teatro deve se dedicar mais para o entretenimento, para a consciência individual ou para intervenção social? Devemos dar ao público o que ele quer, seduzi-lo e a partir daí avançar nas mensagens de transformação ou não perder tempo com esse subterfúgio e ir direto ao ponto?

Acreditamos que não há resposta fácil e desconfiamos que talvez nem sejam essas as perguntas. Nesse lugar é que o “Teatro Sociedade” entra.

O Teatro da Neura não propõe a responder de forma definitiva mas, antes, perguntar qual é o caminho das pedras, aquele caminho que pode nos colocar prontos para a troca necessária entre a arte e o mundo cotidiano.

Talvez seja por isso que o grupo se coloca também para fora da sala de ensaio e entende como ferramentas indispensáveis que a comunicação estética do teatro deve necessariamente passar pela consciência de seus membros da missão que o artista cumpre num país como o Brasil